quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A minha lua...

Fui à rua procurar a lua e não a encontrei. ..
busquei, chamei, pedi, até gritei..
Mas ela não veio...

Senti inveja dos Poetas,  escritores, pintores e compositores
Que, como deuses, criam e a recriam a seu bel prazer. .

Restou vestir-me de sonho
E mentir para mim mesma que a encontrei. ..

Cada um tem a lua que pode e que merece..
A minha cabe no meu bolso mas tem o tamanho do meu desejo

terça-feira, 2 de julho de 2013

Poesia a quatro mãos





Escreveu versos soltos sobre a minha barriga. Leu-os em voz alta, deixando-me o queixo caído e os olhos entorpecidos...
Por vezes, me tirava para dançar e a música era somente instrumental. Nosso diálogo encaixava-se como uma luva na melodia...
Como cúmplices, apenas as taças de vinho. Não só testemunhavam tudo, como ainda colocavam mais lenha na fogueira...
Vestidos somente de avental, preparamos o cardápio inocente. O barulho da chuva acalentava o sono daqueles que, saciados, só desejavam agora sonhar com os anjos...

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Sonetinho para a Lua




Lua, nua: tua. Vem.  
Insinua, atua, evolua. Mantém.    
Sua e crua. Na rua e no além. 
Possua, conclua, Oh! lua, amém!   

Brilho, encanto, doce e mel.  
Razão. Magia. A fé sem véu.
Eclipse da lua, eu e o céu.   

Canta, encanta, dança e chora.   
Dispa, ama, ria, implora.  
Vira. Beija. Degusta. Prosa.    
Durma, sonha, deita. Prova.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

As manhãs de Agosto nascem cinzas

As manhãs de agosto nascem cinza para mim. Há 12 anos, uma mistura de desgosto com receio desponta com o raiar do dia em meu peito. Agosto tirou meu pai de uma forma tão arrogante e bruta que não me resta opção a não ser respeitar. Ao me deparar com a chegada de Agosto, que todo ano não falha, e faz das minhas noites de inverno escuras e frias, após os dias amenos do outono, eu só desejo que esse mês termine bem. O quê me consola é saber que logo as noites iluminadas e os dias coloridos da primavera fielmente chegarão e me consolarão.... Agosto, receba meu respeito e a minha resignação. Que nos próximos 31 dias eu lhe seja agradável.... E, se puder, afeiçoe-se de mim. Pode entrar Agosto, só nao fique tão à vontade a ponto de esquecer que aqui há um coração que ainda sangra....

quinta-feira, 26 de julho de 2012

O tempo que ainda me resta

Eu conto a vida não pelo tempo que já vivi, mas pelo provável tempo que ainda terei (ou não). O Amanhã é uma fantástica invenção com a finalidade de motivar e servir de direção para a caminhada. A cada amanhecer, uma folha em branco para escrever um pergaminho. E o dever de escrever a melhor história. Se vou usar caneta, lápis, nanquim, pincel, tinta, lágrima, suores, gozo ou urucum não importa. Eu tenho que escrever enquanto ainda me resta tempo. E o que farei com as páginas escritas? Vou ler, devorar, me secar, fazer barquinho de papel, chapeuzinho de soldado, gaivota, pipa, bandeirinhas, rascunho no verso, reciclagem, escada para o céu ou forro para o chão do meu túmulo. Que meu pergaminho hoje tenha as cores desse céu que me lembra que estou viva e que a vida pode ser Azul, apesar de todos os lutos....

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Amigos, vocês são todos "farinha do mesmo saco"

Se são muitos??? Não importa. São de valor inestimável...
Se são totalmente sãos? O que sei e me basta é que sou totalmente louca de paixão por eles...
Se não estão presentes o tempo todo, são feito anjos da guarda...
Se não estou presente, eles não cobram, mas me perdoam...
Se choro, penso neles...
Se sorrio, quero dividir com eles...
Ah amigos... Vocês são todos "farinha do mesmo saco"... São "areia demais para meu caminhão"...
Se vale o ditado "diga com quem andas que te direi onde vais", não será difícil saber para onde vou...
Amigos, vocês são meu negócio à parte.
"quem avisa, amigo é":
Por vocês viro fera...
Com vocês, viro criança...
Prá vocês, me consumo por inteiro...
“O Vinho é o Amigo, do mais antigo.”
Um brinde, amigo.
Se “A amizade é o amor sem asas",  meu vôo ao seu lado é com os pés no chão.
Tudo o que sei é que juntos somos mais fortes...
Que nossa fé, não somente remove montanhas, como constroi pontes, derruba muros, nos leva do Oiapoque ao Chui numa fração de segundos...
Ah, amigo... serei eternamente responsável por quem cativei...e com que prazer.
Se quem encontrou um amigo verdadeiro, encontrou um tesouro, eu estou rica "prá caramba"...

Feliz dia do Amigo!
Meus tesouros!

terça-feira, 29 de maio de 2012

Anita fará amor com o Silêncio

E hoje o grito de Anita será de Silêncio. E quem quiser ouvir, que ouça. E quem não quiser, ela não lamenta. Anita sabe que o Silêncio é filho da Dona Sabedoria e que seu pai se chama Senhor Tempo. Anita está decidida a cortejar o Silêncio. ... A se deixar ser seduzida por ele e a se entregar, numa entrega tão absoluta, que resulte numa explosão de justiça e paz. Anita hoje deseja o Silêncio com a fome dos abutres.... Com a sede dos beduínos.... Com a determinação dos garimpeiros.... Com a sagacidade dos piratas.... Com a coragem dos Alpinistas.... E com a curiosidade dos mergulhadores.... Hoje, Anita fará amor com o Silêncio.... Um brinde a essa entrega....

segunda-feira, 21 de maio de 2012

À flor da pele e em carne viva....


Não procurava culpados, nem mártires... não apontava carrascos, nem santos.... não precisava de mais dogmas, nem de visões apocalípticas... não ansiava por conto de fadas, nem muito menos queria descobrir o quê havia no final do arco-íris... não sonhava com príncipes, nem pretendia beijar sapos... não almejava ser canonizada ou entendida.... não se importava que a xingassem, nem que a ignorassem...  queria tão pouco!!!!
A paz que precisava estava no direito de ir aonde seu coração mandasse... ser escrava somente dele.... a realização que desejava estava em amar sem dosador... abrir mão da fita métrica, da balança e do termômetro... Seu peso e sua medida não estavam no amor que pudesse receber, mas no direito e no dever de se esfolar por inteira por quem ama, de sentir todo o sentimento que há no mundo, mesmo que custasse a carne viva....
Queria experimentar o gosto do mundo, pelo preço que fosse justo. Tinha uma fome devoradora de vida... tinha pressa. Não tinha tempo a perder... “vou ali e já volto”, mesmo que não voltasse mais, iria... e não duvidava que a estrada fosse longa... e não temia que houvesse pedras, contando que fossem jogadas somente nela e não nos seus. Ter a faca no pescoço não a intimida, até porque já teve e para sempre estará cravada na sua jugular...
Só temia lavar as mãos. A crise que a abalava era a da inércia. Era aquela que caminhava e buscava sempre... Levava apenas uma pochete cafona, mas que cabia todo o amor que houvesse no mundo... A força que precisava estava no fruto das suas entranhas... não precisava se dividir para amar, mas se multiplicaria sempre pelo infinito do seu amor.
Tudo só faria sentido se olhasse para trás e visse que brotaram flores por onde andou... não sabia o tempo que duraria a jornada, mas desejava que fosse o suficiente para escrever uma história honesta e digna... que honrasse e fizesse valer o sacrifício dos seus pais... que inspirasse e orientasse os passos dos seus filhos e que servisse de expiação e reparação para suas faltas...
Tudo o que queria da vida era o direito de viver de verdade, com todos os exageros, discrepâncias, incoerências, ousadia e metáforas que sua condição de criatura permitisse....
Deixar sangrar, pois em último caso, o sangue poderia matar sua sede....

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O insustentável peso da vida

Entre o todo e a leveza, eu prefiro a liberdade.
Até porque não creio em nada e ninguém que seja tudo ou que seja nada.
Vejo cada um como parte de um todo que se completa, à medida que se permite que cada um seja o que quer e o que pode ser.
Nesse sentido, incomodam-me bagagens pesadas demais. E, mais do que isso, pessoas que carregam bagagens pesadas demais.
Eu gosto mesmo é de gente, mas confesso preferir as que são leves.
Que não se auto-intitula proprietária da verdade;
Que não se auto-nomeia crítica das coisas que ninguém solicitou opinião;
Que não carrega rótulos demais, conceitos pré-definidos, verdades absolutas e dogmas inalcançáveis.
Gente que não se importa com o tamanho da saia da vizinha, com o sexo dos anjos, se o sonho é preto e branco ou colorido, pois está ocupada demais em sonhar seu  próprio sonho, em costurar sua própria saia e que não abre mão da companhia angelical, independente do gênero.
Gosto tanto do tipo de gente que quanto mais entende, menos sabe...
Que não se explica o tempo todo... que não tem uma justificativa para cada suspiro...
Gente leve que geme sem sentir dor e não tem pudor disso.
Gente que assume que usa máscaras, mas que as tira de vez em quando para respirar... e eu fica linda com o rosto suado...
Gente que não precisa sair por aí dando a cara à tapa, mas não tem o menor problema em dá-la a beijos...
Gente que puxa orelha, mas que mordisca também.
Eu gosto de gente que não incorpora o profeta do apocalipse, mas que procura estar sempre de bem com o mundo, pois sabe que ele pode acabar hoje ou a daqui a um milhão de anos....
E como eu não sei nada, mas como a Lispector, desconfio de muita coisa, alicerçada no dito popular “Diga com quem andas, que direis aonde vais”, prefiro andar com gente leve... E, assim, quem sabe, eu torno meu insustentável peso da vida, mas fácil de carregar....



quinta-feira, 10 de maio de 2012

Eis quem chega...

Acontece sim, e não raras são as vezes, que no afã de se ter ou de se sentir no controle de tudo, nem percebe-se que visitantes ilustres batem à porta e, quase nunca, se está em casa para abri-la.
Seria simples. Bastaria destranca-la, dar boas vindas e receber o abraço largo, com cheiro de vida e recheado de boas novas.
Bom dia, Senhor Inusitado! Boa tarde, Senhora Surpresa! Boa noite, meu caro Inimaginável! Fique à vontade, Dona Aventura!
Fixar à fachada: “Fui ali viver e não tenho hora para voltar”.
 Ou, “”aqui não são bem vindos os mensageiros das Mágoas, das Frustrações, da Baixa Autoestima, do Preconceito  ou da Vingança”.
Construir casa sobre rodas e com ela ir aonde o coração pede e a razão deixa.
Estar sempre em casa, mas nunca parado.
Se a terra gira, quem será tolo de não se virar também?
Que surpresa boa perceber que, às vezes, o Senhor Prazer  chega com cara de menino.
Que bom ser livre para abrir a porta e reconhece-lo no rosto do visitante.
Que maravilha poder dizer: Pode entrar,  a casa é toda, toda, sua.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Mas, se hoje é sexta-feira....

Mas se hoje é sexta-feira, o que eu ainda estou fazendo aqui, dentro de mim?
Hoje é dia de se ejetar para fora, de sair do casulo e se desnudar. Tem planeta girando, tem estrela nascendo, sol explodindo de energia, a lua mais tarde vai dar show no céu... tem balé de pássaros, mistérios se desvendando no fundo do mar, tem manga no pé prontinha para ser chupada, enquanto, se senta em uma pedra  esculpida há anos pela natureza, os pés balançam nas águas de um rio, que adiante cairá em cachoeira.
Mas se hoje é sexta-feira, o que eu ainda estou fazendo aqui, dentro de mim? Tem roqueiro fazendo solo de guitarra por aí, tem dançarinos reproduzindo movimentos de cisnes,  tem vovó fazendo  broa de milho com café, tem casinhas brancas com varandas em algum campo.... têm montes a serem escalados e que oferecem em seu topo o cenário e recompensa.
Tem filme de Kurosawa para viajar e livro de Fernando Pessoa para sonhar.... Tem quadro de Picasso para se excitar e tem Roberto Carlos, You2, Pearl Jam, Aerosmith, ACDC e Coldplay  para se teletransportar...
Mas se hoje é sexta-feira, o que eu ainda estou fazendo aqui, dentro de mim?
Tem mãos estendidas à espera de abraços, tem gente caída à espera de um empurrão, tem sorrisos por serem desenhados, tem muita gargalhada para dar junto, tem boca molhada pronta para beijar, tem barrigas famintas para alimentar e tem  choro para consolar...
Sim, hoje é sexta-feira. Dá-me licença, preciso sair de mim.
Sigam-me os Sãos....

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Forasteiro Tempo

Manipula a contento, e ilude, o Feiticeiro tempo.
Miragem nebulosa, que cega e confunde.
Impera majestoso, e a miúde, razão e sonho funde.
Por deveras, sorrateiro, arrasta e arranca forasteiro.

Em tudo há nada, e em vazia povoa.
Enlaça, distrai e derruba, quase à toa.
Brinca, disfarça a farsa, dança às custas e depois voa.

Domina, antes se faz sina.
Parte em cacos, cola pedaços e fascina.
Monstro, anjo, bruxo, menino...
Espectro, lapso, métrico, colapaso...

sábado, 14 de abril de 2012

Escrevo, logo existo!


Escrever às vezes sangra
Descobre o curativo
Expõe a ferida
Expurga o que era imundamente guardado

Escrever às vezes chora
Esvazia a lixeira das lembranças
Põe de molho vestes encardidas
E desinfeta cantos angulares

Escrever às vezes sua
Exercita os músculos que faltam ao cérebro
Barras, pesos e esteiras fortalecem
E ajudam a carregar o mundo nas costas

Escrever às vezes ri
Sublinha as anedotas do dia
Transforma os tombos e piruetas em palhaçada
E faz da vida um picadeiro

Escrever às vezes sonha
Acordado, a cores, com começo, meio e fim
Se vai à lua ou à esquina, derruba muros, constrói pontes
Leva ao Japão ou para a cama

Escrever às vezes goza
Arrepia, mordisca, sussurra
Transforma o instante em eternidade
Faz de dois, um só. E de gemidos gritos de prazer

Escrever às vezes constrói
Transforma verbo em gente
Multiplica pães e peixes
E faz das pedras canteiros.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Memórias de Clara


Clara não era frustrada, mas não negava alguns resquícios de lástimas.
Não sofria por isso, entendia que, simplesmente, deixava de ser ainda mais feliz.
Não havia em Clara a obsessão por  ir atrás do tempo perdido, mas procurava compensá-lo à altura.
Costumava dançar em frente ao espelho, mas não dedicara-se à arte da dança como pretendia...
Sempre se viu andarilha, mas, ao contrário, Clara não percorrera os quatro cantos do mundo como planejara...
Ela que amava partilhar experiências, não conquistara o diploma de mestre, como se programara...
Admirava os moços do outro lado do mundo, mas Clara ainda não conhecera o nobre cavalheiro oriental dos seus sonhos...
Como Clara era imaginativa... Bastava fechar os olhos para se ver dançando de rosto colado com o mais lindo dos samurais, rodopiando pelo globo terrestre e ainda dando aula de como ser feliz.
E quem ousará dizer que Clara não era realizada?
No que estava ao alcance de suas mãos, Clara tratou de não perder tempo. Apressou-se em ser mãe dos filhos que idealizou. E como fazia isso com gosto.
Fazia do trabalho, uma religião. E com que prazer fazia isso.
No mais, quem será capaz de negar que Clara tinha o dom de alcançar seus sonhos, apenas fechando os olhos?
Para Clara, ser feliz era uma questão de ponto de vista, de imaginação, muito de entrega e um pouco de resignação.
Para Clara, ser feliz era  questão de momento, de comprometimento, de determinação e alento.
E o que são resquícios de lástimas, diante de tanta vontade de ser feliz...
Sim, Clara era uma fabricante de imaginação!
Não era à toa que perdera a conta das vezes que assistira a sonhos, de kurosawa.
Mas Clara não era feita apenas de sonhos, era a própria construtora de vida. Era a realidade em pessoa. Porque ela acreditava que para ser feliz, bastava sonhar e estar vivo.

sábado, 7 de abril de 2012

Dia do Jornalismo - uma história de paixão e responsabilidades


Era ainda muito criança quando sonhei pela primeira vez em me tornar uma jornalista.
No início, parecia a ideia genial para satisfazer o desejo da menina de estar perto de sua paixão. O amor pelo futebol foi herdado do meu pai. Acho que encontrei no Flamengo a melhor forma de ser cúmplice do meu velho. Eu sabia tudo sobre o time, não perdia uma só partida e era inseparável do meu radinho de pilha. Que fórmula incrível a menina que eu fui descobriu para estar perto do homem mais importante de sua vida.
Quando fiquei mocinha, o presente que eu queria, era ir ao Maracanã pela primeira vez. E como foi inesquecível aquele Flamengo3x2São Paulo, de virada pelo Campeonato Brasileiro. Só que nessa altura, ao completar 12 anos, a paixão já era minha também. E mais do que uma rubronegra, eu era uma “Ziquista”. O Galinho de Quintino era o ídolo da minha vida. E a vontade de ser jornalista já não era mais apenas uma estratégia para estar perto do que gostava. Nessa ocasião, já era uma certeza: eu nasci jornalista.
Isso me exigiu adaptação. Precisava me preparar para o desafio. E foi uma mudança atrás da outra. E como eu crescia em paralelo com a minha vocação. Comecei a faculdade e logo, graças a uma prova, eu passara para aquele que seria, naquela altura, o trabalho ideal: a Rádio Globo. Da redação para o Departamento de Esportes seria um pulo. Mas, o caminho foi sendo trilhado para outra direção. Ainda como estagiária eu já atuava como profissional. Passei por várias editorias, menos de Esportes.

Entrevistei o Zico algumas vezes, mas, a essa altura, ser jornalista, já não era mais apenas uma escolha apaixonada. Ser jornalista era minha vida, o meu meio de subsistência e minha realização pessoal. A paixão pelo Zico continuava perfumando a escolha e as pernas ficavam bambas sempre que eu o encontrava. Mas a profissão era assunto mais sério agora, que envolvia outras paixões. E por algumas delas, fui obrigada a abrir mão dos rumos que eu traçara para mim.
Sonhava ajudar a mudar o mundo com meu jornalismo sério e sacramental. Imaginei-me nos lugares mais repugnantes, denunciando, retratando e buscando soluções. Queria fazer a diferença na vida das pessoas e do meu país. Mas, como fui educada pelo velho Seu Bebeto a ser responsável por minhas escolhas, me vi diante da condição de resignar-me e aceitar a vertente do jornalismo que, até então, era a que menos me seduzia. A liberdade da escolha, exige a responsabilidade das consequências.
Tenho orgulho de ter me tornado Assessora de Imprensa, de ajudar a divulgar empresas e projetos que para muitos fazem a diferença. Quantas famílias sustentadas graças a essas instituições e quantos projetos desenvolvidos que semearam esperança na vida de tanta gente. E, assim, fiz a diferença, principalmente, na vida dos meus três tesouros, que hoje são a minha razão , a minha meta, a minha causa, a minha recompensa... E, ainda, de quebra, graças ao suor do jornalismo que exerço, ainda pude fazer a diferença na vida do meu filho do coração, que hoje trilha por caminhos dignos e que me ajuda a por em prática o tal “amar ao próximo como a mim mesmo”.
Se eu amo o jornalismo? Se eu me orgulho da minha profissão? É meu sacerdócio, é meu ganha pão, é o meio sagrado do qual posso promover os sonhos dos que amo.... Se eu sou frustrada? Sou uma jornalista apaixonada que reverencia seu trabalho como quem está diante de um sacramento.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A razão

Às vezes parece que a razão está sem razão. Às vezes parece que a razão torce para que percamos a razão. Às vezes arrumamos pequenas grandes desculpas para não viver pequenos grandes momentos.
Às vezes parece que sabotamos nosso direito de ser feliz, simplesmente porque achamos piegas a felicidade.
Gosto da razão, sou muito simpática a ela, mas tenho meus receios quanto aos seus donos.
Às vezes a razão é tão pessoal, que chega a ser preconceituosa, ditadora e excludente.
Outras, ela parece impulsionar para situações que poucos imaginariam ser capazes de atingir, ou ter coragem de buscar.
Age, às vezes, como se fosse dona de tudo, porém é dona somente dela mesma.
Às vezes se faz juíza de todos. E, nós, réus confessos ou escandalosamente ocultos, com a cabeça a prêmio, somos levados à guilhotina da razão sempre que ousamos desobedecê-la.
Será que o inventor da razão deu a alguns o direito de se tornarem proprietários dela?
Eu confesso, às vezes, sou a razão em pessoa. Outras, sou puro instinto.
Entre ter razão e ser feliz eu escolho a Paz.