quarta-feira, 1 de agosto de 2012

As manhãs de Agosto nascem cinzas

As manhãs de agosto nascem cinza para mim. Há 12 anos, uma mistura de desgosto com receio desponta com o raiar do dia em meu peito. Agosto tirou meu pai de uma forma tão arrogante e bruta que não me resta opção a não ser respeitar. Ao me deparar com a chegada de Agosto, que todo ano não falha, e faz das minhas noites de inverno escuras e frias, após os dias amenos do outono, eu só desejo que esse mês termine bem. O quê me consola é saber que logo as noites iluminadas e os dias coloridos da primavera fielmente chegarão e me consolarão.... Agosto, receba meu respeito e a minha resignação. Que nos próximos 31 dias eu lhe seja agradável.... E, se puder, afeiçoe-se de mim. Pode entrar Agosto, só nao fique tão à vontade a ponto de esquecer que aqui há um coração que ainda sangra....

quinta-feira, 26 de julho de 2012

O tempo que ainda me resta

Eu conto a vida não pelo tempo que já vivi, mas pelo provável tempo que ainda terei (ou não). O Amanhã é uma fantástica invenção com a finalidade de motivar e servir de direção para a caminhada. A cada amanhecer, uma folha em branco para escrever um pergaminho. E o dever de escrever a melhor história. Se vou usar caneta, lápis, nanquim, pincel, tinta, lágrima, suores, gozo ou urucum não importa. Eu tenho que escrever enquanto ainda me resta tempo. E o que farei com as páginas escritas? Vou ler, devorar, me secar, fazer barquinho de papel, chapeuzinho de soldado, gaivota, pipa, bandeirinhas, rascunho no verso, reciclagem, escada para o céu ou forro para o chão do meu túmulo. Que meu pergaminho hoje tenha as cores desse céu que me lembra que estou viva e que a vida pode ser Azul, apesar de todos os lutos....

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Amigos, vocês são todos "farinha do mesmo saco"

Se são muitos??? Não importa. São de valor inestimável...
Se são totalmente sãos? O que sei e me basta é que sou totalmente louca de paixão por eles...
Se não estão presentes o tempo todo, são feito anjos da guarda...
Se não estou presente, eles não cobram, mas me perdoam...
Se choro, penso neles...
Se sorrio, quero dividir com eles...
Ah amigos... Vocês são todos "farinha do mesmo saco"... São "areia demais para meu caminhão"...
Se vale o ditado "diga com quem andas que te direi onde vais", não será difícil saber para onde vou...
Amigos, vocês são meu negócio à parte.
"quem avisa, amigo é":
Por vocês viro fera...
Com vocês, viro criança...
Prá vocês, me consumo por inteiro...
“O Vinho é o Amigo, do mais antigo.”
Um brinde, amigo.
Se “A amizade é o amor sem asas",  meu vôo ao seu lado é com os pés no chão.
Tudo o que sei é que juntos somos mais fortes...
Que nossa fé, não somente remove montanhas, como constroi pontes, derruba muros, nos leva do Oiapoque ao Chui numa fração de segundos...
Ah, amigo... serei eternamente responsável por quem cativei...e com que prazer.
Se quem encontrou um amigo verdadeiro, encontrou um tesouro, eu estou rica "prá caramba"...

Feliz dia do Amigo!
Meus tesouros!

terça-feira, 29 de maio de 2012

Anita fará amor com o Silêncio

E hoje o grito de Anita será de Silêncio. E quem quiser ouvir, que ouça. E quem não quiser, ela não lamenta. Anita sabe que o Silêncio é filho da Dona Sabedoria e que seu pai se chama Senhor Tempo. Anita está decidida a cortejar o Silêncio. ... A se deixar ser seduzida por ele e a se entregar, numa entrega tão absoluta, que resulte numa explosão de justiça e paz. Anita hoje deseja o Silêncio com a fome dos abutres.... Com a sede dos beduínos.... Com a determinação dos garimpeiros.... Com a sagacidade dos piratas.... Com a coragem dos Alpinistas.... E com a curiosidade dos mergulhadores.... Hoje, Anita fará amor com o Silêncio.... Um brinde a essa entrega....

segunda-feira, 21 de maio de 2012

À flor da pele e em carne viva....


Não procurava culpados, nem mártires... não apontava carrascos, nem santos.... não precisava de mais dogmas, nem de visões apocalípticas... não ansiava por conto de fadas, nem muito menos queria descobrir o quê havia no final do arco-íris... não sonhava com príncipes, nem pretendia beijar sapos... não almejava ser canonizada ou entendida.... não se importava que a xingassem, nem que a ignorassem...  queria tão pouco!!!!
A paz que precisava estava no direito de ir aonde seu coração mandasse... ser escrava somente dele.... a realização que desejava estava em amar sem dosador... abrir mão da fita métrica, da balança e do termômetro... Seu peso e sua medida não estavam no amor que pudesse receber, mas no direito e no dever de se esfolar por inteira por quem ama, de sentir todo o sentimento que há no mundo, mesmo que custasse a carne viva....
Queria experimentar o gosto do mundo, pelo preço que fosse justo. Tinha uma fome devoradora de vida... tinha pressa. Não tinha tempo a perder... “vou ali e já volto”, mesmo que não voltasse mais, iria... e não duvidava que a estrada fosse longa... e não temia que houvesse pedras, contando que fossem jogadas somente nela e não nos seus. Ter a faca no pescoço não a intimida, até porque já teve e para sempre estará cravada na sua jugular...
Só temia lavar as mãos. A crise que a abalava era a da inércia. Era aquela que caminhava e buscava sempre... Levava apenas uma pochete cafona, mas que cabia todo o amor que houvesse no mundo... A força que precisava estava no fruto das suas entranhas... não precisava se dividir para amar, mas se multiplicaria sempre pelo infinito do seu amor.
Tudo só faria sentido se olhasse para trás e visse que brotaram flores por onde andou... não sabia o tempo que duraria a jornada, mas desejava que fosse o suficiente para escrever uma história honesta e digna... que honrasse e fizesse valer o sacrifício dos seus pais... que inspirasse e orientasse os passos dos seus filhos e que servisse de expiação e reparação para suas faltas...
Tudo o que queria da vida era o direito de viver de verdade, com todos os exageros, discrepâncias, incoerências, ousadia e metáforas que sua condição de criatura permitisse....
Deixar sangrar, pois em último caso, o sangue poderia matar sua sede....

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O insustentável peso da vida

Entre o todo e a leveza, eu prefiro a liberdade.
Até porque não creio em nada e ninguém que seja tudo ou que seja nada.
Vejo cada um como parte de um todo que se completa, à medida que se permite que cada um seja o que quer e o que pode ser.
Nesse sentido, incomodam-me bagagens pesadas demais. E, mais do que isso, pessoas que carregam bagagens pesadas demais.
Eu gosto mesmo é de gente, mas confesso preferir as que são leves.
Que não se auto-intitula proprietária da verdade;
Que não se auto-nomeia crítica das coisas que ninguém solicitou opinião;
Que não carrega rótulos demais, conceitos pré-definidos, verdades absolutas e dogmas inalcançáveis.
Gente que não se importa com o tamanho da saia da vizinha, com o sexo dos anjos, se o sonho é preto e branco ou colorido, pois está ocupada demais em sonhar seu  próprio sonho, em costurar sua própria saia e que não abre mão da companhia angelical, independente do gênero.
Gosto tanto do tipo de gente que quanto mais entende, menos sabe...
Que não se explica o tempo todo... que não tem uma justificativa para cada suspiro...
Gente leve que geme sem sentir dor e não tem pudor disso.
Gente que assume que usa máscaras, mas que as tira de vez em quando para respirar... e eu fica linda com o rosto suado...
Gente que não precisa sair por aí dando a cara à tapa, mas não tem o menor problema em dá-la a beijos...
Gente que puxa orelha, mas que mordisca também.
Eu gosto de gente que não incorpora o profeta do apocalipse, mas que procura estar sempre de bem com o mundo, pois sabe que ele pode acabar hoje ou a daqui a um milhão de anos....
E como eu não sei nada, mas como a Lispector, desconfio de muita coisa, alicerçada no dito popular “Diga com quem andas, que direis aonde vais”, prefiro andar com gente leve... E, assim, quem sabe, eu torno meu insustentável peso da vida, mas fácil de carregar....



quinta-feira, 10 de maio de 2012

Eis quem chega...

Acontece sim, e não raras são as vezes, que no afã de se ter ou de se sentir no controle de tudo, nem percebe-se que visitantes ilustres batem à porta e, quase nunca, se está em casa para abri-la.
Seria simples. Bastaria destranca-la, dar boas vindas e receber o abraço largo, com cheiro de vida e recheado de boas novas.
Bom dia, Senhor Inusitado! Boa tarde, Senhora Surpresa! Boa noite, meu caro Inimaginável! Fique à vontade, Dona Aventura!
Fixar à fachada: “Fui ali viver e não tenho hora para voltar”.
 Ou, “”aqui não são bem vindos os mensageiros das Mágoas, das Frustrações, da Baixa Autoestima, do Preconceito  ou da Vingança”.
Construir casa sobre rodas e com ela ir aonde o coração pede e a razão deixa.
Estar sempre em casa, mas nunca parado.
Se a terra gira, quem será tolo de não se virar também?
Que surpresa boa perceber que, às vezes, o Senhor Prazer  chega com cara de menino.
Que bom ser livre para abrir a porta e reconhece-lo no rosto do visitante.
Que maravilha poder dizer: Pode entrar,  a casa é toda, toda, sua.