sexta-feira, 16 de março de 2012

A Descoberta

E eu, que mal sabia o que queria, me vi obrigada a descobrir o que precisava. E não estava longe. Era justamente do milagre de me saber viva que eu necessitava a cada instante. Era do poder de ser dona de mim e das minhas escolhas que eu havia de me tomar sempre. Era do prazer de desvendar cada manhã sem pudor e com a fome das feras que eu me alimentava. E era da estranha magia de reinventar minha história sempre que precisasse que eu me movia. E, assim, eu fui e vou, apenas com meu farnel nos ombros, com meus versos rabiscados e com trechos de canção para me embalar que sigo. Quem quiser vir comigo, vamos embora, porque o tempo tem pressa e não espera. E eu tenho muito ainda que amar.

Valéria Aguiar

quinta-feira, 15 de março de 2012

Uma paixão assim...

Hoje eu senti uma paixão tão grande por Deus, que me deu vontade de abraça-lo. Um impulso de beijar seus pés,  lavá-los com minhas lágrimas, enxuga-lo com meus cabelos e perfumá-lo com aroma das rosas do meu jardim.
Onde está Deus para que eu possa alcança-lo?  Por aÍ, por aqui, em toda parte?
Posso vê-lo, sim, o vejo perfeitamente, no rosto dos meus filhos. Que explicação teria para o milagre e honra me concedidos de ser mãe desses anjos, se não a infinita misericórdia desse Deus que habita neles?
Vejo Deus nas minhas cachorrinhas que conhecem de longe o barulho dos meus passos. Que me distinguem mesmo se eu estiver no meio da multidão. Que quase me derrubam de alegria quando chego em casa. São tão dependentes de mim e parecem gostar tanto disso! Como fazem questão de demonstrar sua devoção!
Vejo Deus nos companheiros de trabalho que confiam em minhas ideias, que mergulham nelas, que vibram com os resultados, que lamentam quando algo dá errado, que aturam os defeitos, mas que se comprazem da missão compartilhada.
Vejo Deus na casa que construi com o suor do meu rosto e com as bênçãos que vêm dos céus. É meu oásis, meu pedaço de céu, minha toca, abrigo das minhas crias.
Vejo Deus nos amigos queridos que fazem questão de demonstrar seu carinho, seu respeito, sua fidelidade. Quem não cobram pela ausência, que entendem a distância e que percebem quando preciso de colo.
Vejo Deus agora em cada pessoa que doa seu tempo precioso para ler essas palavras, fruto de uma declaração apaixonada de uma criatura por seu criador.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Sou folha de papel (crônica de um engarrafamento)

Da janela do carro vejo um pedaço de papel que flutua por entre o fluxo congestionado e congestionante da hora do rush. A brisa bate e a folha sucumbe, alterando a direção.
 A motocicleta que costura o trânsito fazendo vento e ruído modifica mais uma vez o rumo.
Na outra mão, livres e fluindo velozes, automóveis possantes, alheios aos limites que imperam do outro lado, passam como rojões.
A folha voa alto agora, como se ejetada para a liberdade das alturas. Ao pairar, lembra uma garça a observar os reféns enclausurados das quatro paredes de aço.
Observo que, lentamente, vai repousando. Momento de calmaria. Que sensação libertadora a de poder voar.
Mas, cuidado, está caindo, e os monstros de aço podem esmaga-la.  Adeus vôo, adeus liberdade momentânea.
Que limite enfim entre o êxtase e o fim.
Lá se foi uma imagem... era minha miragem no deserto do engarrafamento em que me encontro.
Sinto-me um pouco folha de papel.
Vou e volto conforme as intempéries do tempo, dos outros, da máquina...
Mas, espera! Se sou papel, não quero ser como a folha sem rumo, esmagada pelo tráfego da vida.
Antes, pegarei uma caneta e escreverei um enredo envolvente. Com direito à trilha sonora que hora acalenta e hora impulsiona.
Sou papel e sou protagonista. Sou autora e sou personagem.
Você quer me ler?

Companhia dos anjos

Gosto da companhia dos anjos. São companheiros fieis. Nao economizo no meu direito de chamar por eles. Na alegria, comemoraram comigo. Na aflição, se ajoelham por mim. Acho que as criaturas que mais se assemelham aos anjos são os cães. Aquela expressão usada nos casamentos "na saúde e na doença, na alegria e na tristeza" se aplica bem a duas classes de criaturas: das mães para os filhos e dos cães para seus donos.

terça-feira, 13 de março de 2012

Sucumbir-se

Até a última gota, até o último segredo, até o último suspiro.

Arriscar-se, sucumbir-se, mergulhar em profundezas...

Viajar até o outro lado do planeta, avançar fronteiras, derrubar muros.

Olhar o mundo vermelho, brincar de fantasiar...

Deixar-se embalar pela mais pura poesia.

Experimentar sabores novos, de saquê a marrom glacê.

Com temor. Mas, com fervor.

Sem pudor. Mas com doçura.

Um daqueles roteiros de filme que nunca poderia se imaginar.

Sem “The End”. Simplesmente porque nem início se teve.

Não começou e nem vai terminar. Somente vai se sentir.

Ah, vida! Seu nome também é Surpresa.

sábado, 10 de março de 2012

Mosaicos

Aprecio, em muito, os mosaicos:

Cacos soltos que um dia foram um todo.

Agrupados, colados, formam nova identidade.

Já não são mais cacos, mas obra de arte artesanal.

Que lindos são os mosaicos. É possível apreciar cada caquinho.

... Nenhum sequer perde a forma única, mas se presta e se empresta a construir coisa nova.

Uns são angulares, outros, apenas, peças.

Sem quebrar-cabeças, sem ordem definida.

Simplesmente, peças, e múltiplas, e mágicas.

Porém, mais lindo que os cacos e que o próprio mosaico em si são as mãos de quem se propõem formá-los.

Vida de Mosaico... Que arte.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Um brinde de outro mundo


Hoje senti vontade de beber, mas não uma bebida qualquer.

Queria beber um rio...ou um oceano, sei lá.

Uma bebida com gosto de infinito, de liberdade...

Um pouco apimentada, como as tempestades em alto mar...

Mas que se misturasse com paladar doce, como as marés em noites enluaradas...

Se pudesse reunir em uma taça todas as bebidas do mundo, com todos os seus sabores, todos os seus exóticos ingredientes, todos os seus aromas e todas as suas nuances...

Uma bebida que embriagasse somente alma...

Que não me fizesse entortar as pernas, mas os sentimentos...

A taça está preparada.... À espera do grande brinde... Eu, o oceano e o luar...